Banner juvino publicidade

Artigos

Artigo 03/11/2018 17:13 Fonte: Jornalista Ronan Almeida de Araújo

Ciro Gomes pisou na bola ao xingar Leonardo Boff de "bosta"

Após o encerramento do segundo turno presidencial, quem mais saiu usando sua metralhadora giratória foi, sem dúvida alguma, Ciro Gomes, candidato derrotado pelo PDT, ficando o terceiro, uma campanha muito bonita que ele travou pelo país afora.

O político cearense é muito bom de papo e muita vez fala demais, me lembrando duma frase dita pelo meu eterno pai: a língua é o chicote do diabo. É verdade. Pagamos muito caro quando falamos sem sentido, pois quando uma frase mal dita é pronunciada, provoca reação negativa a quem foi dirigida. Não é bom. Isso já aconteceu comigo por várias vezes.

Aos poucos, a gente vai corrigindo e com muita humildade, consegue diminuir falar mal das pessoas, o que é muito fácil. Difícil é falar bem. Temos mais vocação para o mal do que para o bem. É ser humano. É preciso dosar as nossas palavras.

Quando mal faladas, destroem famílias, tanto a nossa, quanto às daquelas que pronunciamos comentários negativos. Giro Gomes teve todo o direito de não apoiar Fernando Haddad no segundo turno. Disse que não votaria de jeito nenhum no candidato vitorioso.

Ou seja: deve ter anulado o seu voto. Falou que nunca mais apoiaria candidatos do PT. Tem seus motivos. Ninguém é obrigado o outro. Acredito que Ciro Gomes tenha pensando que teria mais chances de ganhar de Jair Bolsonaro. Para ele, não haveria tanta resistência da sociedade que embarcou na onda anti-petista. Porém, é dinâmica. Se soubesse um dia que eu candidato a qualquer cargo, não titubearia e disputaria um mandato no executivo.

É como jogar na Mega-Sena: a gente joga e a impressão que temos é que vamos perder. E perde mesmo, pois a possibilidade de alguém ganhar é de 50 milhões em um. Na política também. Por isso, não pretendo participar de qualquer pleito porque tenho certeza que vou perder. Voltando sobre Ciro Gomes, o presidenciável derrotado disse uma frase muito ruim e teve repercussão muito negativa no cenário brasileiro.

Disse ele: Frei Leonardo Boff é uma bosta. Suou mal e para quem conhece a trajetória de vida cristã no catolicismo e no mundo intelectual, sabe que o ex-frei franciscano é uma das maiores autoridades brasileiras com publicação de inúmeros livros sobre o envolvimento do cristão nos movimentos considerados minoritários: sem teto, sem terra, sem emprego, negros, índios, agricultores, etc.

Quando estava cursando a Faculdade Católica de Goiás, estudando Filosofia, tive o prazer de conhecer de perto os trabalhos de Frei Leonardo Boff.

As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), criadas na década de 1980, teve na pessoa do frei como o seu maior expoente, uma vez que ele foi considerado o maior teólogo católico e graça a ele, surgiram outros movimentos de resistência contra a opressão à ditadura imposta pelos militares da época, como o ex-presidente Figueiredo, o último militar a governar o país.

Leonardo Boff foi excomungado pela Igreja Católica, graça à atuação implacável do atual Papa emérito Bento XVI, batizado de Joseph Aloisius Ratzinger, e, paulatinamente, o movimento das CEBs foi enfraquecendo, com o surgimento de outros movimentos, como a Renovação Carismática, com linha teológica totalmente diferente daquele era pregada pelos católicos ligados aos movimentos de base que tinha muita força dentro da igreja com participação popular nos rumos do catolicismo tornando as liturgias mais emocionantes porque retratavam a realidade dos pobres e de todos os excluídos da sociedade.

Ciro Gomes deveria pedir desculpas pela péssima declaração sobre Leonardo Boff porque errou nos seus comentários a um homem público tão importante para o povo brasileiro a entender melhor como funciona a Torre de Babel da política nacional. Também Fernando Haddad errou por não ter ligado para Jair Bolsonaro para cumprimentá-lo e depois que percebeu que falho u, usou as redes sociais, o Face, para “parabenizar” o vitorioso no processo eleitoral presidencial.

Nos Estados Unidos, o perdedor é obrigado a cumprimentar o vitorioso. Faz parte da tradição política americana. Aqui também deveria ser assim. Gesto de humilde é visto como algo muito positivo pela sociedade. Não há espaço para arrogância. Na política, você constrói o bem fazendo gesto de bondade, de simplicidade e de amizade. Não é porque perdeu, o derrotado terá que ser inimigo do vencedor. Hoje foi a sua vez de perder.

Amanhã poderá ser sua vez de ganhar. Mas para alcançar essa graça é necessário nunca deixar de fazer sempre o bem a todos, principalmente àqueles que foram seus algozes na campanha. O mal se paga com o bem. Pensar diferente é atitude de covarde que não está preparado para o embate político. 

Jornalista Ronan Almeida de Araújo


Veja também sobre Artigo
Cargando...

Informações de contato

Planeta Folha

(69) 9842-96737

atendimento@planetafolha.com.br

2016 - 2018: Planeta Folha é uma publicação de Planeta Folha - ME. Todo o noticiário, incluindo vídeos, não podem ser publicados, retransmitidos por broadcast, reescritos ou redistribuídos sem autorização por escrita da direção, mesmo citando a fonte. Os conteúdos assinados são de responsabilidade de seus respectivos autores. As pessoas citadas nos conteúdos têm direito de resposta garantida. Dúvidas entre em contato! ou fale diretamente com nossa redação - (Fale conosco pelo WhatsApp)
Crie seu novo site AgenSite
versão Normal Versão Normal Painel Administrativo Painel Administrativo